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Sistema Cicloviário

Um levantamento sobre acidentes no transito feito pela comissão participativa para estabelecer os números de radares na cidade em 2003, acabou mostrando um problema que é a situação do ciclista dentro do município.

Na época chegamos à conclusão que o ciclismo urbano deveria ter uma atenção especial, pois contingente de acidentes era grande tendo em vista que a cidade não tem vias projetadas para o ciclista, e estes dividem os espaços urbanos com carros, motos e pedestres.

Uma estratégia operacional deveria ser feita, considerando um levantamento da frota de ciclista, bicicletas, sua utilização e desenvolvimento de uma lista de prioridades para atuação.

O Sistema cicloviário é um conjunto de ações simples, realistas, que respeitam o pré-existente, organizam a cidade e facilitam o uso da bicicleta, através de vias compartilhadas, ciclos-faixas, ciclovias e sinalização adequada.

Vamos entender que os Centros Urbanos não tem calha viária adequada nem para os automóveis, motos e pedestres imaginem para as bicicletas. Os ciclistas deveriam ter curso de treinamento para a educá-los tanto na utilização da bicicleta com ênfase na segurança para o transito, como no comportamento cívico.

Desenvolver um sistema cicloviário com começo, meio e fim baseado em pesquisa de origem, destino e de utilização com implantação de pontos com bicicletários e pára-bicicletas em locais estratégicos para criar facilidade de estacionamento e incentivar a integração do ciclista com outros meios de transporte.

Podemos até arriscar que em Mogi das Cruzes, existem dois percursos que são quase uma vocação para um sistema cicloviário, que é o trecho que vai da de Jundiapeba ao Centro da cidade e outro que vai de César de Souza ao Centro. O que falta é um projeto completo e vontade política para que esta ciclovia aconteça.

Este sistema cicloviário segue um roteiro estratégico que vai: 1 – Conhecimento e respeito do que já existe na estrutura viária da cidade; 2 – Direito e deveres dos ciclistas e o lugar da bicicleta no sistema viário; 3 – O papel da bicicleta no sistema de transporte e sua integração; 4 – A bicicleta relacionada à qualidade de vida individual e coletiva. A partir da análise destes aspectos, se propõem os ambientes cicloviário mais viável para a cidade.

Acredito que com a implantação das ciclovias, ciclos-faixas e educação, teremos uma cidade melhor.

Paulo Pinhal - 2008


Marquises

Sem comparação com o episódio do Rio de Janeiro, onde prevalece o elemento arquitetônico chamado marquise como recurso para projetar sombras e mesmo proteger de chuvas naquela cidade que por sua localização geográfica é quente o ano todo.

O vento ou brisa acontece com o encontro da massa de ar quente com o ar frio, portanto se temos algum lugar sombreado, com certeza acontece o fenômeno causando uma brisa.

Nós arquitetos consideramos que marquises são pequenas coberturas que protegem a porta de entrada ou cobertura, aberta lateralmente, que se projeta para além das paredes da construção.

Olhando as edificações no centro da cidade de Mogi das Cruzes, do ponto de vista das marquises podemos dizer que embora não ofereçam perigos imediatos, vale a pena uma fiscalização para que cada edifício.

Encontramos em nosso passeio, muitos painéis e placas que compõe as fachadas das edificações comerciais que além de deixar a cidade poluída visualmente, também esconde possíveis abandonos com relação à manutenção das marquises atuais.

Os ferros expostos ao tempo, revestimentos que se desprende, pode ser indicio de que o concreto esta em fase de deteriorização.

Nossa cidade quatrocentona tem imóveis que tem beirais que de certa forma fazem o papel de marquise, se bem como elemento arquitetônico, este tem outra função.

Para nós arquitetos, seria ótimo se em primeiro lugar, acontecesse uma limpeza visual de todas as fachadas e mediante vistorias verificar as condições das marquises e beirais para que evitemos futuros incidentes.

Paulo Pinhal - 2008


Luz na arquitetura

Percebemos a luz de duas formas: diretamente projetada da fonte para os olhos ou refletida em uma superfície, para a arquitetura a luz é importante desde do inicio da civilização onde temos exemplos clássicos na arquitetura grega definido pelo ritmo de suas colunas, no Panteão, templo romano encimado por uma cúpula, a iluminação provém de uma abertura circular no alto da construção, reflete nas paredes laterais e ganha uma qualidade difusa.

Na igreja gótica, as paredes não são estruturais e o vão é convertido em elemento translúcido e colorido, tornando-se agente transformador da luz. A iluminação colorida desaparece na Renascença, que valoriza a luz branca, indireta. No Barroco, a luminosidade se torna o ponto central do projeto e tudo é idealizado em função da luz.

O americano Frank Lloyd Wright, que começou sua carreira no século XIX, achava que a luz devia ser domada, controlada. Ele jamais deixava a luz natural entrar diretamente no ambiente, projetando grandes beirais, valendo-se da seguinte analogia: "O que é melhor? Ficar no deserto sob o sol escaldante ou sob a agradável sombra de uma árvore"? Ele propunha que, na arquitetura, a luz fosse a recriação desta luz existente em baixo de uma árvore, criando, para isso, elementos que suavizassem e filtrassem esta luz nos espaços internos. Wright escreveu muito sobre a luz natural e projetou, em geral, ambientes mais intimistas.

A arquitetura evolui e hoje em geral, as aberturas para iluminação natural, nas fachadas dos edifícios, são determinadas pelos arquitetos com base em aspectos formais.

Critérios como o percurso da luz, a proteção solar, a percepção visual, a relação com o exterior e os gastos de energia acabam desprezados, por falta de informações ou simplesmente em nome de uma estética visual, que não contribui em nada para o conforto ambiental. Os arquitetos precisam mudar sua atuação.

Dieter Bartenbach do Bartenbach LichtLabor na Austria, especialista em lighting design, acredita que as crescentes exigências de conforto visual em grande parte em decorrência dos postos de trabalho com terminais de computador e de economia de energia levem a uma conscientização da importância desses parâmetros e ao aproveitamento cada vez maior da iluminação natural em edifícios comerciais.

Estamos vivendo um momento que devemos evitar os desperdícios e aproveitar mais os conhecimentos tecnológicos existentes, para que tenhamos uma qualidade de espaço com economia.

Um arquiteto com conhecimento em luminotécnica pode valorizar seu espaço.

Paulo Pinhal - 2008


INTEGRAÇÃO ENTRE PROJETOS

Como em outras indústrias, na construção de edifícios, os projetos têm um papel fundamental na qualidade dos produtos e na eficiência dos sistemas de produção.

Apesar dessa importância, os projetos têm sido tratados pelas empresas de construção como uma atividade secundária que é, via de regra, delegada a projetistas independentes, contratados por critérios preponderantemente de preço do serviço.

Outra característica dos projetos no setor é que eles são orientados para a definição do produto sem considerar adequadamente a forma e as implicações quanto à produção das soluções adotadas.

Mesmo as especificações e detalhamentos de produto, muitas vezes, são incompletas e falhas, sendo resolvidos durante a obra, quando a equipe de produção acaba decidindo sobre determinadas características do edifício não previstas em projeto. Sendo que esta situação reforça que as principais causas dos problemas nos projetos são: inadequações do conhecimento técnico dos projetistas e a falta de planejamento do processo do projeto.

Caracterização do Processo de Projeto na Construção de Edifícios
O processo de projeto na construção de edifícios é composto por várias especialidades de projeto (arquitetura, estruturas, sistemas prediais, etc.) as quais desenvolvem as soluções em nível crescente de detalhamento, cumprindo diferentes etapas de projeto.

Desta forma, o processo de projeto se dá por meio da sucessão de diferentes etapas, em que a liberdade de decisões entre alternativas vai sendo substituída pelo amadurecimento e desenvolvimento das soluções adotadas.

Constata-se que na construção de edifícios existe uma relação hierárquica entre a arquitetura e todos os demais projetos que compõem o edifício. De acordo com as normas técnicas em vigor, bem como os textos institucionais que tratam do assunto, consideram o projeto de arquitetura como o responsável pelas indicações a serem seguidas pelos projetos de estruturas e instalações.

No processo de projeto convencionalmente utilizado no setor é comum que uma etapa de projeto de determinada especialidade dependa, para ser iniciada, do término de uma etapa de diferente especialidade, cujo grau de aprofundamento e maturação das decisões é equivalente ao da etapa (da outra especialidade) que se inicia. Por exemplo, a etapa de anteprojeto de estruturas e fundações tem como pré-requisito a etapa de anteprojeto de arquitetura.

Percebe-se assim, que a fase de concepção do edifício ocorre de forma separada do desenvolvimento do projeto, ou seja, “a atuação do projetista de arquitetura ocorre previamente e sem a interação com os demais projetistas” .

O projeto de arquitetura é desenvolvido a partir da pesquisa de mercado e aquisição do terreno e depois, é aprovado nos órgãos competentes, para obtenção de recursos financeiros e lançamento do empreendimento no mercado.

Somente após a etapa de lançamento, é feita a contratação dos demais projetistas que irão participar do desenvolvimento do projeto. Desta forma, a atuação dos diversos projetistas envolvidos no processo não ocorre de maneira conjunta e o projeto é elaborado sem a efetiva contribuição de todos os participantes ao longo das diferentes etapas do processo de projeto.

Além disso, observa-se que, durante o desenvolvimento do projeto, praticamente não existe a participação da construtora e do usuário mas, por outro lado, a influência do incorporador é bastante significativa.

Paulo Pinhal